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Segundo filho: ter ou não ter

Segundo filho: ter ou não ter

Ter o segundo filho ou ficar apenas com um? Essa questão aflige muito mais casais do que você imagina! Existem diversas teorias, mitos e verdades sobre criar uma criança solo ou com irmãos – mas qual será a mais indicada para a sua família? De maneira geral, ter um único filho significa menos gastos e menor necessidade de espaço e tempo para cuidar do pequeno. Mas quando se leva em conta as emoções e a convivência familiar, o segundo bebê pode representar um grande ganho. Isso, por que com um novo membro, diluem-se as expectativas e as exigências antes concentradas no primeiro filho – além do pequeno ser um companheiro para a vida toda do irmão. Ou seja, existem benefícios em ambas as situações.

Quando falamos de crianças, a soma não é simples como 1 +1. São muitas variáveis a serem consideradas, e esta, obviamente, não é uma decisão fácil!

No Brasil

O cenário indica que as famílias tem optado por parar no primeiro filho, e que essa tendência não é exclusividade do século XXI. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a taxa de fecundidade total para 2018 é de 1,77 filho por mulher, contra 2,38 do ano 2000. Já em 2060, o número médio de filhos deverá reduzir para 1,66. Essa baixa pode ser explicada por alguns fatores, como a permanência da mulher no mercado de trabalho – que decide por se realizar profissionalmente antes de se aventurar na maternidade, o melhor planejamento da gestação (com o acesso do casal aos métodos anticoncepcionais), e aos “novos formatos de relacionamento”, já que muitos casamentos terminam antes do primogênito completar três anos. Infelizmente, dessa forma, não dá tempo para os cônjuges planejarem mais de um filho.

Questione: O que vai mudaria com mais um bebê?

Você já criou uma rotina que funciona bem para a casa inteira? Todos estão finalmente dormindo bem à noite? Você e seu parceiro estão, depois de um longo intervalo, tendo um tempinho a dois? Já voltou a trabalhar e está completamente envolvida no mundo profissional?

Todas essas perguntas devem ser devidamente respondidas na hora de decidir sobre outra gravidez, afinal já sabemos o quanto a chegada de um recém-nascido pode ser turbulenta. Reflita bastante sobre isso. Será que vocês têm todo o tempo e a energia necessários neste momento? Que mudanças teriam que ser feitas? Seus outros filhos estão prontos para a chegada de um bebê? Pode ser, então, que vocês decidam que um filho só é suficiente.

Filho único

Desmistificando o estereótipo

Todo mundo já ouviu falar que crescer sem irmãos pode tornar a pessoa mimada e egocêntrica. Infelizmente esse é a imagem que a maioria das pessoas tem do filho único: com dificuldades para se adaptar socialmente e tendências egoístas. Esse conceito está superado, faz anos. Diversos autores já afirmam que todas as crianças podem apresentar essas características, independentemente de ter ou não irmãos.

Um estudo realizado pelas psicólogas americanas Toni Falbo e Denise Polit, da Universidade do Texas, com 141 famílias durante 24 anos, constatou que o filho único não tem tais particularidades.

De acordo com as autoras da pesquisa, se o pequeno se relacionar desde cedo com crianças da mesma idade, ele não terá problemas de socialização. No parquinho, por exemplo, todos vão se ver, se apresentar (a sua maneira) e interagir. No mesmo espaço, vão dividir os brinquedos e aprender a compartilhar os objetos – mesmo que seja o baldinho de areia.

E no dia-a-dia, a escola do seu filho será uma importante equalizadora, que colocará todas as crianças no mesmo patamar, estimulando a troca e o convívio igualitário, reprimindo atitudes que beneficiam apenas um indivíduo.

Quanto a ser ou não mimada, depende muito mais do comportamento dos pais do que da própria criança. Atender a todos os desejos do filho, não conseguir dizer “não” e esquecer de impor limites são apenas algumas das atitudes que a mamãe e o papai não podem praticar – e isso independe do número de filhos. Afinal, toda criança precisa de bons modelo de conduta!

Vantagens de ter um só filho  

São tantas as pesquisas que reforçam a necessidade de se ter um grande familia, que muitos pais se esquecem dos diversos pontos positivos de ter apenas um filho! Em todo tipo de estrutura familiar existe prós, mesmo que seja da menorzinha, confira:

Acredite, a performance dos filhos únicos nos testes de criatividade é superior! Um estudo recente da Southwest University, em Chongqing, na China, analisou scans do cérebro de 250 estudantes universitários e chegou à conclusão de que os filhos únicos são mais criativos. De acordo com os pesquisadores, eles têm mais massa cerebral em uma região chamada giro supramarginal, que já foi associada a capacidades como imaginação e flexibilidade na resolução de problemas. A explicação para o resultado foi associada ao fato de filhos únicos terem mais contato com os pais.

Já no Reino Unido, pesquisadores da Universidade de Essex analisaram as respostas de mais de 2500 adolescentes e perceberam que quanto maior o número de irmãos, menor era o nível de felicidade relatada pelos jovens. Na publicação, os pesquisadores sugeriram que fatores como a competição pela atenção dos pais e bullying entre irmãos são algumas causas possíveis para esse resultado.

Mudando de continente... De acordo com um estudo da Universidade de Ohio, nos EUA, quanto mais irmãos a criança tem, menores são suas notas. Os pesquisadores analisaram a performance escolar de 24,599 estudantes norte-americanos da oitava série, e sugeriram que em famílias maiores os pais tem menos tempo de conversar (e cobrar) sobre as aulas, notas e os deveres escolares com as crianças.

De maneira geral, as pesquisas relacionadas a filhos únicos apontam que eles possuem maiores chances de conquistar futuros brilhantes – com cargos e salários mais altos, já que recebem uma educação “melhor”. A explicação é bem simples: com um único filho, os pais conseguem proporcionar cursos, viagens, passeios e tudo que possa somar para seu desenvolvimento, com mais facilidade do que as famílias com mais crianças – nenhuma mãe ou pai vai selecionar apenas um de seus filhos para estudar naquela colégio bilíngue, ou fazer o tão sonhado intercâmbio. O dinheiro é dividido igualmente entre todos e não acumulado. Entre irmãos os gastos realmente são mais altos e os pais priorizam a estabilidade, sem preferências.

Segundo filho

Ter uma família grande pode ser um sonho de infância ou um desejo que cresceu no coração dos pais com a construção do lar. Imaginar o seu pequeno dividindo os brinquedos, as histórias e as alegrias e dores do mundo na fase adulta é algo natural.  Sendo uma vontade genuína do casal, caberá perfeitamente na casa e no coração!

Vantagens de ter mais um bebê

Muito mais do que uma companhia para a hora das brincadeiras (e das broncas), um irmãozinho é capaz de ser um amigo para toda a vida. Ter um irmão pode ser definido como um ensaio para a vida, então é natural que haja altos e baixos. Isso, claro, inclui discussões e brigas! No meio desse longo caminho juntos, terão declarações de amor, e também crises de raiva. A convivência oferecida por uma infância em conjunto é a oportunidade perfeita para errar, testar limites, aprender a ter paciência, a admirar, a se frustrar e a amar. Passar por momentos bons e ruins ao lado do seu irmão tem muita função. É com esse companheiro que a criança tem mais chances de aprender a se socializar e enfrentar o mundo, enquanto os pais ficam com a tarefa de transmitir valores.

Além disso, mesmo que a rotina pareça mais cansativa, ela também poderá proporcionar momentos únicos de descanso. Agora os seus filhos brincam juntos – e o maiorzinho pode se responsabilizar por alguns minutinhos de diversão com bloquinhos, no tapete, enquanto a mamãe assiste no sofá. Um filho, automaticamente, distrai e diverte o outro!

Um outro ponto positivo é que a segunda experiência é muito menos estressante do que a primeira. A maioria dos pais sente que cuidar do novo bebê é bem mais fácil. Afinal, eles já passaram bem por tudo isso, a ponto de se sentirem confiantes e capacitados para aceitar a tarefa novamente. Ser pai de segunda viagem é consideravelmente mais tranquilo e proveitoso.

Há ainda um outro fator importante. Em alguns casos, com o primeiro filho os pais não deram atenção suficiente em certos marcos importantes – como engatinhar, andar, falar etc. E agora que sabem o quão rápido esse tempo passa, é mais provável que irão saborear cada uma dessas fases ao invés de antecipá-las. Cada filho, é um aprendizado diferente!

Comentário fofo: não há nada mais gratificante do que ouvir as gargalhadas dos pequenos brincando juntos! Mesmo que depois os sons se tornem passos firmes e gritos de “você não me pega”. As brincadeiras e principalmente, as comemorações, sempre serão uma festa! Imagine o natal com árvore recheada de presentes, biscoitos para o Papai Noel e crianças ansiosas pela meia-noite? As festas e reuniões familiares serão mais animadas, divertidas e farão com que você e seu parceiro revivam a infância. Então, não deixe de fazer registros dessa alegria!

Finanças

A primeira coisa que a maioria das mamães e papais pensam quando cogitam ter o segundo filho é que os gastos serão duplicados, mas isso não é verdade.

O fato é que a família estará muito mais preparada para absorver as demandas do novo membro do que estava antes da chegada do primeiro filho. A experiência da primeira gravidez fará com que muitos gastos iniciais sejam reduzidos e, em alguns casos, totalmente eliminados. Veja só:

  1. Quando os pais já sabem desde o início que a ideia é ter dois filhos, eles devem ficar muito atentos à compra dos móveis, enxoval e utensílios do primeiro bebê. Optando por cores neutras, por exemplo, é possível aproveitar grande parte dos itens para o segundo filho;

  2. Além do cuidado com as roupinhas do bebê, é importante preservar o carrinho, o bebê conforto, babá-eletrônica, cadeirinha do carro, cadeirão, banheira etc. Tudo isso pode ser reaproveitado no futuro – nem que fosse para uma priminha ou doação, não é mesmo?

  3. Caso a família pretenda mudar para um imóvel maior, em função da chegada do primeiro filho, é válido olhar para o futuro com mais atenção e já visualizar a vinda do segundo, planejando espaço suficiente para isso;

  4. A mesma dica vale para a escolha do carro. Nos primeiros anos de vida da criança, é comum que os pais levem uma verdadeira “mudança” a cada passeio, com carrinho, trocador portátil e a famosa bolsa do bebê. Escolher um carro que comporte bem duas cadeirinhas e um terceiro passageiro no banco de trás, além de um porta-malas espaçoso, é uma decisão inteligente.

  5. Pensando nos estudos, tem diversas escolas que dão descontos para mensalidades e matrículas de irmãos! Neste caso, a menor diferença de idade entre um e outro é bem vantajosa.

Vamos considerar que a família tenha feito uma projeção de gastos para o nascimento do primeiro filho. Basta pegar os números e atualizar com o novo orçamento da casa. Descontando todos esses itens citados acima, já reduzirá bastante o resultado final!  

Se o casal ainda não tem esses dados, nós ajudamos! O foco do levantamento deve ser os investimentos durante a gestação e no primeiro ano de vida do novo bebê. Anote os gastos com alimentação, medicação, visitas ao médico, roupinhas e fraldas.

Se a mamãe e o papai são organizados, provavelmente possuem um planilha de gastos familiares para controlar o orçamento da casa. Uma boa maneira de visualizar o impacto da chegada do segundo filho é, portanto, unificar essa planilha com a que você preparou anteriormente, para ter uma noção bem real do que vai mudar nos gastos da família.

Existe um melhor momento para ter o segundo filho?

Levando em consideração alguns aspectos, como relação com os pais, rivalidade entre irmãos e autoestima, os especialistas acreditam que o período mais indicado para se ter o segundo bebê seja antes do primeiro completar 1 ano de vida. De acordo com Jeannie Kidwell, professora de assuntos familiares da Universidade do Tenessee, nos EUA, bebês com menos de 1 ano ainda não têm aquela noção de ser exclusivos e por isso acabam não ficam com tanto ciúme do irmãozinho mais novo. Para os pais que optam pela concepção e nascimento do segundo filho nesta fase, há diversas vantagens: eles encaram o estresse de cuidar de seus bebês de uma vez só e conseguem retomar tanto a vida conjugal plena como a social mais rapidamente.

A pequena diferença de idade também favorece o companheirismo entre os irmãos, já que superarão praticamente juntos as mesmas fases da vida. Além disso, muitas vezes a dificuldade une ainda mais o casal e a maior competitividade dá mais traquejo aos pequenos para buscar soluções. Aqui uma dica preciosa é reservar um tempo do dia para dar atenção exclusiva do pai e da mãe ao filho mais velho para que ele se sinta afetivamente seguro.

O que aponta o temido relógio biológico

Infelizmente, a idade dos pais deve ser levada em conta por causa da fertilidade, principalmente a das mulheres. Se você está chegando aos 40 anos, por exemplo, e quer ter mais filhos, provavelmente não poderá se dar ao luxo de esperar mais de três anos entre eles. Agora, se você tem menos de 30 (e nenhum problema de saúde que possa dificultar a gravidez), têm mais tempo e opções antes de decidir.

Dados recentes do IBGE mostram que na maioria dos casos, o segundo bebê chega por volta dos 35 anos, momento em que a taxa de infertilidade faz com que as possibilidades de ter uma nova gravidez diminuam e se situem em 8%. A partir dos 38 anos, essa porcentagem baixa até os 3%.

No entanto, a idade da mulher influencia não somente na hora de engravidar, mas também nas complicações que uma gravidez pode ocasionar em determinadas idades. O estado físico de um corpo, que já tenha passado anteriormente por uma gravidez e um parto, é uma questão importante para avaliar, já que uma segunda gravidez não pode ser encarada nas mesmas condições físicas que a primeira.

Além da idade biológica e do estado físico, deve-se levar em conta a energia que é necessária para cuidar de crianças com idades diferentes. É preciso ponderar o pique, gastos para cuidar da alimentação, da educação e do bem-estar dos pequenos. Com 20 e poucos anos, o casal consegue acompanhar a criança no parquinho, na piscina, no pega-pega, esconde-esconde, na hora da papinha e contação de histórias (com músicas e personagens). Na casa dos 40 e/ou 50 anos, tudo isso (provavelmente) não será possível. Dessa forma, certamente a infância do seu segundo filho não será parecida com a do primeiro. Mamãe e papai estão de acordo com isso? Será que é o melhor para a criança?

ADENDO: nunca encomende um bebê para tentar salvar seu casamento. Diante de uma crise conjugal, o melhor a fazer é resolvê-la para depois pensar em um segundo filho. Um novo bebê pode criar desgastes na sua relação mesmo que tudo pareça bem. Um quarto membro torna as relações familiares mais complexas, despertando sentimentos e situações que antes não eram experimentadas, como a rivalidade e o ciúme.

Falando em outros motivos que podem levar a um segunda gravidez, não tenha mais um bebê somente por que o seu filho quer um irmãozinho. Esse peso é demais para os ombrinhos de um ou de outro. Imagine nascer com tamanha responsabilidade, não e mesmo? Muito injusto!

Como preparar o seu filho para a chegada do irmão?

Primeiro, não adianta se iludir! Mesmo que o seu filho tenha implorado por um irmão, ele não será somente beijos e abraços com o novo membro da casa. As crianças têm todas as reações de um ser humano complexo, e nessa hora elas vêm à tona, prepare-se para lidar com curiosidade, ciúmes e raiva, mas também amor e um senso gigante de proteção. A família toda irá se adaptar, e isso requer tempo, e paciência. O indicado, para preparar a cabecinha e o coração do filho mais velho, é contar a ele exatamente o que está acontecendo, desde a gravidez.

São nove meses de gestação, então use bem esse tempo para conversar com o seu filho sobre o bebê e a nova rotina que virá. Diga que, embora ele vá exigir cuidados, você continuará tendo um tempo para ele. Mostre-lhe fotos de quando ela era bebê e leia livros infantis sobre a chegada do irmão. Esclareça quem vai tomar conta dela enquanto você estiver no hospital.

Um alerta dos especialista é: cuidado para não exagerar na dose das mudanças. Mandá-lo, por exemplo, para uma creche nova poderá passar a ele a impressão de abandono. O mesmo vale para o berço. Se você decidir transferi-lo do berço para uma cama bem na época do nascimento do bebê, ficará a sensação de que você tirou o lugar dele para dar ao outro filho.

Dica: será inevitável que você tenha menos tempo para o filho mais velho logo nas primeiras semanas após o nascimento, então ele precisa de um "reforço" das outras relações. Quanto mais ficar com o pai, melhor. Casa dos avós também costuma ser um ótimo refúgio longe do bebê e com olhares de amor exclusivos.

 

IMPORTANTE

Você pode colocar tudo no papel, analisar todas as vantagens e desvantagens, conversar com outras pessoas, mas, no fim das contas, quem guia esse tipo de decisão são nossos sentimentos. Então, nada melhor do que seguir aquela vozinha que fala bem lá no fundo. Se você quer ter outro filho, e tem muito amor preparado para dar para ele, por que não?

Uau, quantas informações! Quando o assunto é filho, nunca existem pesquisas e estudos suficientes! Toda mamãe e papai quer estar preparado - e a Comunidade Alô Bebê é o melhor lugar para isso. É um espaço exclusivo para compartilhar dicas e experiências. Falando nisso, nós queremos saber como foi a sua decisão de aumentar ou não a sua família. Quais foram os fatores determinantes na hora de bater o martelo sobre o segundo filho? Conte a sua história! Queremos muito ler o seu relato!

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Redação - Alô Bebê

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