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Por que bebês não devem ingerir mel?

Por que bebês não devem ingerir mel?

Apesar de ser um alimento muito comum na mesa dos brasileiros, o mel pode não ser uma boa opção para se oferecer ao seu bebê, ainda mais os bens novinhos. Para saber mais sobre o assunto, preparamos um artigo para explicar os motivos disso e quando é mais adequado introduzir o mel na alimentação dos pequenos sem risco.

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É de conhecimento geral que o mel, além de ser um produto natural, traz benefícios para a saúde e é até usado em conjunto com outros tratamentos para combater gripes e resfriados. No entanto, é seguro oferecê-lo a crianças pequenas, menores de um ano de idade, sem que haja danos a sua saúde? Bem, vamos por partes:

O mel na alimentação dos bebês

Você já deve ter ouvido a expressão “mel na chupeta” pelo menos algumas vezes na vida, certo? Isso porque a prática na verdade era comumente usada para acalmar os bebês ou fazê-los aceitar a chupeta com maior facilidade. No entanto, estudos desenvolvidos pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) apontam que o mel na dieta de bebês menores de um ano não é recomendado e, mesmo depois, o alimento precisa ser introduzido a nutrição da criança de maneira controlada.

Isso porque especialistas afirmam que o mel pode estar contaminado com uma bactéria chamada Clostridium botulinum, microrganismo responsável pelo desenvolvimento do botulismo intestinal.

Para quem não conhece, o botulismo é uma doença neuroparalítica não contagiosa, que pode levar à morte por paralisia da musculatura respiratória. A bactéria responsável, através de alimentos que não têm preservação adequada, produz uma toxina que manifesta as ações no sistema neurológico e gastrointestinal.

Visto que crianças com pouca idade – principalmente aqueles abaixo de um ano de idade – possui um sistema imunológico sensível e ainda em desenvolvimento, o botulismo se torna especialmente perigoso. No entanto, após os doze meses iniciais, é mais comum que o sistema gastrointestinal esteja melhor protegido e a eliminação da bactéria é mais garantida.

Quais as chances do mel comercializado estar contaminado?

Também de acordo com as pesquisas da ANVISA, os níveis de contaminação do mel comercializado em mercados e feiras chega a 7%. Se você pensar, o número não é tão considerável assim, no entanto, são 7% a mais do que pediatras consideram seguros para oferecer o alimento às crianças.

Inclusive, o botulismo intestinal é responsável por 5% das mortes em crianças menores de um ano nos dias de hoje.

Como a doença é transmitida?

Como foi falado anteriormente, o botulismo intestinal é transmitido via bactéria presente no mel. No entanto, o mesmo pode ocorrer com alimentos enlatados, em conserva ou com propriedades similares ao mel, como o xarope de milho.

O Clostridium botulinum produz esporos que sobrevivem em ambientes com pouco oxigênio. A ação da toxina da bactéria pode causar grandes estragos mesmo se for ingerida em pouca quantidade. Além disso, a transmissão não é exclusiva da ingestão do alimento contaminado; a intoxicação também pode ocorrer através de machucados, por exemplo. A partir disso, há três formas do botulismo se manifestar no organismo: a alimentar, via ferimentos e a intestinal.

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A presença da bactéria, inclusive, está muito presente na natureza. Apesar do conhecimento dela estar presente no mel, não é impossível que a intoxicação seja feita através de produtos agrícolas conservados inadequadamente, água não tratada, em outros mamíferos e peixes.

No caso de ingestão, quais os sintomas que podem ser notados?

Os sintomas podem variar de acordo com o tipo de infecção. No entanto, é importante estar atento a vários sintomas comuns à doença e que podem ser notados como: dificuldade para respirar, vômitos, diarreia, visão turva e/ou dupla, sonolência, tontura, vertigem, dores de cabeça e, em casos mais extremos e graves, a paralisia descendente da musculatura respiratória ou dos membros.

Caso você tenha dado mel ao seu bebê, é importante ficar de olho para os sintomas que aparecem no período de incubação da bactéria, que varia de 12 a 36 horas, em casos raros poucos dias além disso. Se, durante esse tempo, a criança não apresentou sintomas como vômito, diarréia, fraqueza ou até dificuldade para falar, a doença não é um perigo para ela nessa situação.  

Vale lembrar que em caso de suspeita da doença, é importante o acompanhamento médico imediato. Além disso, nem sempre todos os sintomas se mostram presentes na criança de uma só vez.

O tratamento em estágios iniciais da doença reduz significativamente o risco de morte. Uma alimentação adequada também é considerada como tratamento complementar. Então, o diagnóstico precoce é essencial para controlar os sintomas e evitar maiores complicações.

É seguro oferecer mel a crianças maiores de um ano?

Em bebês maiores de doze meses de idade, a tendência é que o sistema imunológico esteja melhor desenvolvido e o risco de infecções caia consideravelmente. No entanto, é importante ressaltar que apesar de ser seguro, o mel ainda é um adoçante e, mesmo que natural, não deixa de ser açúcar.

Dito isso, precisa ser apresentado a dieta das crianças de maneira controlada para minimizar casos de obesidade e sobrepeso. Além disso, o uso de mel na dieta pode criar maus hábitos alimentares, fazendo com que os bebês não aceitem mais o leite materno precocemente, por exemplo.

Como prevenir?

Como foi dito em outros artigos da comunidade, de acordo com pediatras, é essencial para a saúde de seu bebê que durante pelo menos os primeiros seis meses de idade, a alimentação deve ser exclusivamente de leite materno para então introduzir alimentação com sólidos. A partir disso, é bom frisar que a higiene na hora de limpar os alimentos e as mãos é uma prática que pode prevenir não só a infecção pela doença, como diversas outras.

Outro ponto importante para proteger a saúde dos pequenos é evitar a ingestão de alimentos em conserva que estiverem em latas estufadas ou em frascos de vidro embaçados, com um cheiro estranho ou alterações na textura. O mel é um dos alimentos mais perigosos se não for bem conservado e, vale novamente o alerta, nunca é recomendado o seu consumo por crianças menores de um ano de idade.

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Outra prevenção é ferver alimentos enlatados ou em conserva antes de consumi-los, visto que o calor pode eliminar as toxinas da bactéria.


Esclarecemos as suas dúvidas em relação ao mel na alimentação do seu bebê? A nutrição dos pequenos sempre deve ser um assunto a ser tratado com cuidado. Pensando nisso, temos outros artigos que podem tratar não só de dicas sobre alimentação dos bebês como até mesmo a sua saúde! Aproveite para se aprofundar mais no assunto e ficar por dentro de informações sobre o universo dos pequenos.

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Redação - Alô Bebê

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