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O que fazer quando meu filho não me respeita?

O que fazer quando meu filho não me respeita?

Educar uma criança está longe de ser uma ciência exata. Nenhuma fórmula mágica estabelecida pode ser aplicada para 100% dos casos com a certeza de que o resultado vai ser um filho bem-educado, inteligente e comportado, que se relaciona bem com os outros. Por mais que os pais sigam todas as cartilhas de criação e educação infantil à risca, é possível que a criança desenvolva alguns padrões de comportamento que não eram exatamente os esperados. Calma, pois a culpa pode não ser sua. Pelo menos não do jeito que você está pensando.

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Mesmo quando estão tentando fazer tudo certo, pais também cometem erros, pois são tão humanos quanto seus filhos e, com frequência, estão tão cansados, sobrecarregados e calejados que não conseguem prestar atenção em todos os detalhes no dia a dia com os pequenos. Em muitos casos, isso pode acontecer ainda mais cedo do que se imagina – não à toa, a fase dos 3 anos vem sendo chamada de threenager, em referência às palavras three e teenager (de "três" e "adolescente", em inglês).

É nessa época que muitos mini-humanos começam a desenvolver a personalidade, o caráter e a vontade própria – mas também a autonomia. Daí até a maturidade, qualquer hora é hora de desafiar, desrespeitar e aprender a se relacionar com os pais – mas, também, com os outros!

E o que fazer então quando a criança se recusa a obedecer aos comandos dos pais e começa a se mostrar desrespeitosa não apenas com a família, mas também com amigos e professores? E como frear esse comportamento e ensinar a ela que isso não é aceitável?

Veja a seguir algumas dicas que podem ajudar a facilitar essa relação e fazer com que seu filho passe a respeitar e a conviver melhor.

Não normalize o mau comportamento

Um dos equívocos mais frequentes cometidos pelos progenitores na hora de educar seus filhos é fingir que não viu a atitude desrespeitosa. Ignorar os sintomas não faz o problema desaparecer e, quando as pessoas que deveriam agir com autoridade não dão atenção para o que está acontecendo, a criança entende que está tudo bem.

O primeiro passo é sempre deixar claro o que é certo e o que não é – frequentemente, a criança só vai descobrir isso depois de tomar uma atitude que não deveria. Se é a primeira vez que aquilo acontece, vale a máxima de cortar o mal pela raiz. Logo de cara, converse com a criança e mostre, dizendo com todas as letras, que aquilo não é certo e o motivo.

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Se o comportamento continuar se repetindo, é possível que ela precise de mais firmeza na conversa ou que ela esteja aprendendo pelo exemplo – ou seja, talvez os próprios pais ou alguma outra pessoa com o mesmo nível de autoridade não esteja respeitando aquela regra.

Tente manter a calma

Eventualmente, entre uma tarefa e outra, em meio a tantas obrigações e prazos, é bem possível que sua prole teste sua paciência e você acabe agindo com impaciência.

Se isso acontecer, o melhor a fazer é tentar se acalmar e mostrar para a criança que você sabe o quanto aquilo é errado, que se arrepende, e demonstrar toda a sua humanidade. Afinal de contas, perder o controle não é legal, mas isso pode ser transformado em uma lição. Sempre cuidando para que criança não se sinta culpada, é claro, é possível mostrar a ela que o desrespeito também pode chatear os outros.

O ideal é evitar que as coisas cheguem a esse ponto. Gritar nunca é bom: além de estremecer a relação, faz com que a criança aprenda com você que esse é o caminho para resolver os conflitos.

Dialogar é preciso

E se, em vez de gritar, você respirar fundo, for até a criança, olhar nos olhos dela e conversar?

Falar com as crianças como se elas fossem subcapacitadas é um erro frequente de muitos pais. Elas podem ainda não dominar completamente o vocabulário dos adultos, mas são inteligentes e conseguem compreender, sim, uma boa conversa – mesmo as mais novinhas!

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Ainda assim, dialogar com a criança demanda algumas técnicas que são diferentes das usadas em uma interação com outro adulto. Abaixe-se, converse no nível da criança, olhe nos olhos e pronuncie bem as palavras. Tenha certeza de que ela está olhando, prestando atenção e compreendendo.

Dar o exemplo, também

A criança está em um cômodo, você está em outro. Você diz de lá: “Vá já lavar as mãos antes de jantar”. Quando ela não responde, você vai até lá e dá uma bronca: “Eu mandei você ir lavar as mãos! Me obedeça, agora!”. A criança levanta e vai cumprir a ordem. Qual lição você acredita ter ensinado? Que é importante manter a higiene antes as refeições? Errado! A mensagem que fica é a de que, gritando, você se faz entender.

No exemplo acima, a criança pode nem ter escutado o comando, por estar longe, e logo em seguida se deparou com alguém levantando a voz e sendo quase agressivo com ela – e a abordagem funcionou, já que ela vai até lá e lava as mãos. A única lição que ela tira disso é a de que gritar é um caminho, que o imperativo comunica.

Existem inúmeras pesquisas científicas que se debruçam sobre os processos cognitivos e de aprendizado e comprovam que o ser humano – assim como algumas espécies animais! – aprendem ao observar e imitar seus pares. Por que não aplicar esse conhecimento com os pequenos humanos?

Dê razões para ser respeitado

Ainda no exemplo acima, você já pensou que talvez a criança não saiba o motivo pelo qual precisa lavar as mãos antes das refeições? Como adultos, é comum esquecermos as razões pelas quais algumas atitudes são tomadas, e isso vale para vários hábitos do cotidiano. Para a criança, no entanto, tudo é novo. E, mesmo que algo tenha sido dito uma vez, ela pode não ter absorvido e fixado aquela informação. Não custa, então, dar a ela as explicações que justifiquem a necessidade de seguir aquele comando e reforçá-las até que ela aprenda, de fato, e comece a fazer isso sozinha.

Distribua a autoridade

“Quando seu pai chegar em casa, você vai se ver com ele!” Quantos adultos de agora já não ouviram essa frase quando eram pequenos? Quando as crianças começam a desrespeitar os pais, é usual que elas o façam primeiro com um deles, depois com o outro. Ou, ainda, a birra pode ser sempre com o mesmo deles – em geral, aquele com quem ela tem mais convívio.

O que isso significa? Que a criança ama mais um pai do que o outro? Não! Como, na imensa maioria das famílias, a responsabilidade de cuidar das crianças fica com as mães, enquanto os pais não interrompem a rotina profissional para isso, é natural que ela passe mais tempo com os filhos. Em determinadas fases da infância, os pequenos começam a testar os pais, para saber até onde podem ir para se impor. E é bem nítido que eles têm mais cautela em testar a pessoa com quem convivem menos. Mas essa é apenas uma das causas, é claro, já que tal “diagnóstico” depende também de quanto cada um dos progenitores se impõe e define limites para as ações dos herdeiros.

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O que não deve acontecer é o famoso comportamento “good cop, bad cop” [policial bom, policial ruim], em que um assume sempre a fama de mais rigoroso e o outro é o bonzinho. Isso torna as relações familiares assimétricas e faz com que ambos incorporem personagens dos quais, mais tarde, é difícil se dissociar.

A autoridade e o respeito precisam ser bem distribuídos e, portanto, o mais importante é não incentivar esse desequilíbrio. Evite frases como “Eu vou contar isso para o seu pai” e outras do tipo, que desautorizam a mãe e fazem com que o filho tenha medo do pai, por exemplo.

Entendendo os motivos

Você já destratou alguém sem razão? Como isso fez você se sentir? Normalmente, cada explosão ou descontrole emocional está inserido em um contexto que nos leva até essa atitude. Isso não quer dizer que é legal descontar nossos problemas nos outros, sem dúvidas, mas encontrar essa justificativa nos ajuda a entender melhor o que está errado e a raiz desse comportamento.

Essa mesma lógica precisa ser aplicada quando uma criança começa a apresentar atitudes desrespeitosas. Embora possa ser apenas uma questão de “teste de paciência” para os pais e ela ainda esteja aprendendo até onde pode ir, é também possível que alguma outra questão a esteja conduzindo a isso.

Há algum problema na escola? Um amigo ou colega está perturbando o sossego da criança? Ela está com dificuldade para aprender ou entender alguma lição? Ou poderá ser alguma dor que a criança não está conseguindo descrever? Ela passou por algum trauma recentemente – uma perda de alguém que faleceu, um amigo que mudou de escola, um brinquedo que está desaparecido? Mesmo questões que podem parecer pequenas para os adultos ganham grandes proporções quando se está falando de quem ainda está aprendendo a ser humano.

Preste atenção nos seus pequenos

"Mas como saber se algo está errado quando ele não me fala?", pode ser que você esteja se perguntando. Bem, esse é realmente um grande desafio – a comunicação! Pois bem, crianças exibem sinais quando algum aspecto não vai bem, e um deles é, veja só, o mau comportamento. A raiva, o desrespeito e a própria birra podem ser sintomas de um problema, como falamos acima. Se ele não se sente à vontade para contar isso aos pais, a raiz do problema pode estar justamente aí! Abra-se para o seu filho, dê o primeiro passo, faça com que ele perceba que não vai ser punido caso diga a verdade.

E, antes de tudo, pergunte a você mesmo se está prestando a atenção adequada. É fácil nos distrairmos com os cuidados básicos, com a lista de afazeres e com os nossos outros problemas – e até mesmo com o smartphone! – e não nos darmos conta de que um ou outro aspecto esteja bastante deficitário.

Não espere que ele aprenda sozinho

Nem sempre a criança vai conseguir extrair autonomamente a lição que precisa tirar de uma determinada situação – que pode ser um tombo, uma bronca ou qualquer outro evento. Elas são, sim, inteligentes e sensitivas e conseguem compreender o sentido de um olhar de reprovação desde bebês.

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Porém, entender que algo está errado não significa entender o porquê, então é preciso falar e descrever com clareza, especialmente quando a criança parece não reagir adequadamente à lição dada. Corrigir os erros é outra ação fundamental, pois nem sempre a linha entre o certo e o errado é tão clara.

Limites, limites, limites

Ninguém nasce com um manual de instruções – nem de como ser pai ou mãe, nem de como ser filho. Viver não é fácil nem para os adultos; imagine então para as crianças. Quem precisa dizer até onde ela pode ou não ir são as pessoas que estão ao seu redor, principalmente os adultos.

Nesse sentido, definir limites para os comportamentos é uma forma de ajudar a criança entender essas barreiras. É provável que ela não respeite esses limites, e essa é justamente a hora em que os pais precisam manter a linha bem clara no mesmo lugar. Se você estende a fronteira um pouco mais, a criança provavelmente interpretará que isso vai ser possível sempre e não verá razão para respeitar – nem em casa, nem em outros ambientes.

Peça ajuda

Por falar em limites, será que você, no papel de pai ou mãe, já conseguiu estabelecer quais são os seus? Criar uma criança é uma tarefa longa, que se estende por anos e não é nada fácil. Quando tudo parece estar dando errado e a criança passa a desrespeitar as pessoas que estão à sua volta, é natural que os pais questionem se tudo o que estão fazendo está certo e tentem encontrar em si mesmos o problema.

Pode ser que não seja nada; às vezes, é só uma fase natural do desenvolvimento da criança. E uma autoavaliação é, sim, muito importante. Afinal, a abordagem educativa deve mudar constantemente conforme os pequenos vão crescendo, e o que funciona quando seu filho tem 3 anos talvez não traga os mesmos resultados aos 5 ou 8.

Mas, além de olhar para suas próprias atitudes e fazer um raio X no comportamento de todos os adultos da família, há casos em que é preciso pedir ajuda. Seja para identificar onde está a raiz do problema, seja para que você possa ajudar sua prole a se tranquilizar e aprender a se relacionar melhor.

Ouvir os mais velhos é sempre uma boa ideia, escutar o que os avós têm a dizer pode ajudar – e muito! Ouvir outras mães, assistir a documentários sobre o tema, ouvir podcasts... Tudo pode ser bom. Mas, em muitos casos, é preciso ajuda profissional mesmo. É a hora de procurar um profissional da psicologia, da pedagogia, um educador, entre outros. Não ter vergonha de pedir ajuda é um dos segredos de ser um bom pai e ainda pode mostrar para a criança a importância de reconhecer as próprias necessidades e limites.

Não mate totalmente a rebeldia da criança

Respeitar não é obedecer sem questionar. Uma casa de família também não precisa ser um quartel-general em que toda ordem é cumprida sem perguntas. Alguns protocolos sociais e hábitos de convívio podem não fazer nenhum sentido aos olhos de uma criança – muitos deles são difíceis de aceitar até mesmo depois que crescemos, convenhamos.

Rebeldia e desrespeito são duas palavras com sentidos bem diferentes, e educar uma criança consciente e inteligente, com capacidade crítica e raciocínio aguçado, também inclui ensiná-la a questionar. Esse talvez seja um dos grandes conflitos na hora de estabelecer um bom diálogo com os pequenos. Como ensinar a respeitar sem matar toda a capacidade de questionamento, a criatividade, a inventividade e aquela pontinha saudável de rebeldia? A resposta, na teoria, é bem simples: dizendo, ensinando, em vez de ordenando e determinando.

Uma boa saída é incluir a criança em algumas decisões e também no contexto do dia a dia. Por exemplo: uma vacina precisa ser tomada e a criança não quer – pois, claro, está com medo da agulha. Você não pode mentir que não vai doer, porque vai. Se a criança não sabe o que está acontecendo, sob o ponto de vista dela os pais estão apenas facilitando que alguém lhe enfie uma agulha no braço, causando dor. Para evitar essa interpretação equivocada, converse com ela, explique que aquilo é necessário para que ela não fique doente. Que vai doer, mas só um pouquinho; que ela é muito forte e consegue aguentar; e que você vai estar ali o tempo todo fazendo companhia.

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É natural e importante que a criança também aprenda a se impor quando sente ou vê que algo pode vir a lhe causar dor ou sofrimento, pois esse é também um mecanismo de defesa. Cabe aos pais baixar a guarda dos pequenos, explicando os motivos pelos quais eles precisam se submeter a essa situação desagradável. No entanto, os pais não devem fazer com que as crianças sintam que precisam aceitar tudo sem um mínimo de resistência.


Lembre-se: o lar é onde seus filhos se sentem mais à vontade para extravasar, demonstrar suas fraquezas, descontar as frustrações – assim como você!

É ali, na zona de conforto, que meninos e meninas vão despejar também seu lado negativo, e isso pode ser um pedido de ajuda, um sintoma de que algo não está sendo compreendido bem em uma fase da vida. As novidades e mudanças constantes marcam o crescimento e podem confundir; o papel dos pais é ajudar, não devolver o desrespeito. É fácil? Não. Mas não é impossível!

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Redação - Alô Bebê

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