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O que é a gravidez ectópica?

O que é a gravidez ectópica?

Como todos sabem, a fecundação ocorre quando, durante o período fértil, o ovário libera um óvulo que é fertilizado por um espermatozóide, dando origem a um embrião que se implanta na parede da cavidade uterina e se desenvolve até se tornar um bebê. Mas nem sempre as coisas acontecem como deveriam e o embrião que em condições normais adere à parede do útero acaba se prendendo a outro lugar, dando origem a uma gestação ectópica.

O que é a gestação ectópica?

A gravidez ectópica é aquela que acontece quando o óvulo fertilizado se implanta e começa a se desenvolver fora da cavidade uterina, quando o normal seria que esse processo se desse no interior do útero. Na grande maioria das vezes, as gestações ectópicas ocorrem em uma das trompas de falópio, que são estruturas com cerca de 10 centímetros de comprimento que se projetam do útero e são responsáveis por transportar os óvulos liberados pelos ovários.

Nesses casos, a gestação recebe o nome de gravidez tubária, mas pode ocorrer de o embrião se implantar em outras áreas, como o colo do útero — região que conecta o órgão à vagina —, os ovários e a cavidade abdominal, por exemplo. Infelizmente, por se tratar de uma gravidez iniciada fora do útero, quase sempre em órgãos que não são capazes de comportar nem suprir um feto em desenvolvimento de forma adequada, a gestação ectópica não é compatível com a vida e, além de não evoluir como deveria, existe um grande risco de que o embrião provoque a ruptura de órgãos e exponha a mãe ao perigo de óbito em decorrência de complicações provocadas por hemorragias.

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Segundo as estatísticas, as gestações ectópicas ocorrem em 1 a cada 50 gravidezes, mas a maior dificuldade é que nem sempre as mulheres se dão conta do problema logo de início. Isso porque, de modo geral, os sintomas são os mesmos de uma gestação comum, ou seja, a menstruação se torna ausente, o teste de gravidez dá positivo, os seios ficam mais sensíveis e doloridos e pode acontecer de a mulher sentir náuseas e mais vontade de esvaziar a bexiga — daí a importância de se fazer o pré-natal e todos os exames solicitados pelo obstetra.

Além do mais, antes de 4 ou 5 semanas de gestação é bastante difícil identificar o embrião por meio de exames de ultrassonografia, já que ele ainda é muito pequeno e a situação frequentemente só é identificada depois que o feto se desenvolve um pouco e acaba causando a ruptura dos tecidos aos quais se encontra aderido.

Por que as gestações ectópicas acontecem?

No caso da gestação tubária, que é a mais comum das gravidezes ectópicas, ela acontece por conta de desequilíbrios hormonais, devido ao desenvolvimento irregular do embrião, anomalias genéticas, malformações congênitas nas trompas de falópio ou pela presença de cicatrizes resultantes de procedimentos cirúrgicos ou infecções nessas estruturas. Endometriose e aderências de tecidos também podem aumentar as chances de uma mulher ter uma gestação ectópica, bem como o tabagismo e a ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis, como clamídia, gonorreia e sífilis, além da doença inflamatória pélvica (DIP).

Outros fatores que podem aumentar o risco de uma mulher desenvolver uma gestação ectópica são tratamentos de fertilização in vitro, gravidezes ectópicas anteriores, mais de 35 anos de idade ao engravidar ou abortamentos. Até a escolha do método anticoncepcional pode ter influência, como é o caso da ligadura de trompas e do DIU (dispositivo intrauterino), embora seja bastante raro que uma mulher engravide enquanto faz uso desse recurso.

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Quais são os principais sintomas?

Além dos sintomas que as grávidas costumam apresentar no início da gestação, existem outros indícios que podem sugerir a ocorrência de uma gravidez ectópica. São eles:

  • sangramento vaginal;

  • vontade constante de evacuar;

  • dor na região pélvica, normalmente em uma das laterais do corpo;

  • dor no abdome;

  • dor no pescoço e nos ombros.

O desconforto no pescoço e nos ombros pode ser um indicativo de hemorragia, uma vez que o acúmulo de sangue na cavidade abdominal, além de exercer pressão sobre determinados nervos (por isso a sensação de dor), pode irritar o diafragma. Ademais, outros sintomas causados por sangramentos são fraqueza, sudorese, palidez, desmaios e pulso acelerado e fraco. Se a gestante apresentar qualquer um desses sintomas ou uma combinação deles, deve se dirigir imediatamente a um hospital.

Como é feito o diagnóstico?

Em qualquer caso, o diagnóstico da gravidez ectópica é feito pelo obstetra ou ginecologista, geralmente após a mulher se queixar de dor na região pélvica ou abdominal ou apresentar sangramento vaginal. Para confirmar o quadro, o profissional tipicamente solicita exames de sangue para checar os níveis hormonais que indicam a gravidez, uma vez que índices mais baixos dessas substâncias podem sugerir uma gestação ectópica.

Além disso, é comum submeter a mulher a exames de ultrassonografia e, se o médico suspeitar de que ocorreu alguma ruptura e a paciente corre o risco de apresentar sangramento, o especialista pode encaminhá-la para a realização de outros procedimentos para garantir que a gestante não será vítima de uma hemorragia interna.

Quais são os tratamentos?

A gravidez ectópica pode oferecer sérios riscos à vida da mulher se não for identificada e descontinuada a tempo, e o tratamento pode envolver a administração de medicamentos que interrompam o desenvolvimento do embrião e motivem o próprio organismo a absorvê-lo, desde que a gestação se encontre bem no início.

Dependendo do estágio de gravidez, se ela estiver mais avançada, o uso de medicamentos não é viável, e a alternativa consiste na realização de uma cirurgia para remoção do embrião e, se for o caso, do tecido em que ele se encontra implantado. Isso significa que, em determinadas situações, uma das trompas pode ter de ser retirada, especialmente quando ocorre a ruptura dessa estrutura. Geralmente, a cirurgia é realizada por meio da laparoscopia, mas, em se tratando de danos mais extensos, pode ser que o médico opte por empregar procedimentos mais invasivos.

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E depois?

Pode ser que ocorram dificuldades para voltar a engravidar depois de passar por uma gravidez ectópica, especialmente se houver complicações e uma das trompas de falópio for removida. Caso o órgão não tenha sofrido danos significativos, as chances de que aconteça uma nova gestação são de 60% a 65% nos 18 meses seguintes à gestação ectópica, mas não é raro que as mulheres tenham de se submeter a tratamentos de fertilidade para poderem engravidar novamente.

É importante ter em mente que a possibilidade de futuras gestações depende de vários fatores, como a região em que a gravidez ectópica aconteceu e o quadro de fertilidade da mulher. Mas não é impossível que as mulheres engravidem novamente e possam ter filhos normalmente após sofrer uma gestação ectópica.

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Além disso, para voltar a engravidar, os médicos normalmente pedem que a mulher aguarde pelo menos dois ciclos menstruais. Dependendo do método utilizado para tratar a gestação ectópica, pode ser que os especialistas solicitem um intervalo maior, uma vez que os medicamentos utilizados para interromper o desenvolvimento do embrião podem afetar a formação de um novo.


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Redação - Alô Bebê

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