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Meu filho é mal-educado. E agora?

Meu filho é mal-educado. E agora?

Toda criança vai apresentar algum tipo de mau comportamento em algum momento da vida e ser mal-educada com alguém. Isso é fato. E todo pequeno vai testar os limites dos adultos – e isso faz parte de seu aprendizado sobre quem eles são e qual é o seu lugar no mundo, processo que, com a orientação dos pais, ensinará às crianças importantes lições para toda a vida.

Mas, o que é uma criança mal-educada, afinal?

De modo geral, é considerado como bom comportamento aquele que é aceito como social e culturalmente adequado – e como problemático ou “difícil” quando ele não atinge as expectativas da família nem da sociedade. Mas muitos fatores podem influenciar o comportamento da criança, como os familiares mais próximos, os professores, os amiguinhos e os personagens dos desenhos favoritos.

Além disso, aspectos que devem ser levados em consideração quando definimos se uma criança é bem ou mal-educada são sua personalidade, idade, etapa de desenvolvimento físico e emocional em que ela se encontra, em que tipo de ambiente ela está inserida, como é sua dinâmica familiar etc.

O que deve ser esperado das crianças?

Até os 3 anos de idade, os pequenos ainda não são capazes de controlar muito bem suas emoções e têm dificuldades de se acalmar uma vez fiquem irritados ou desapontados. Assim, é comum que as crianças façam birras, sejam desobedientes e até agressivas, e tenham problemas em entender o que é esperado delas e a razão de suas vontades não serem sempre atendidas.

Entre os 4 e 5 anos, as crianças começam a querer conquistar um pouco mais de independência – e começam a argumentar mais com os pais. Também é normal que elas queiram ser reconhecidas como “crianças grandes”, capazes de fazer tudo sozinhas. No entanto, quando precisam de ajuda ou querem chamar atenção, voltam a agir e a conversar como se fossem bebês novamente. Os pequenos podem fazer birras de vez em quando, mas já conseguem ter mais autocontrole sobre emoções e impulsos, embora ocasionalmente exibam um pouco de agressividade – visto que ainda estão aprendendo como lidar com a própria violência.

Entre os 6 e 9 anos, as crianças já são um pouco mais responsáveis e autônomas, embora ainda exijam bastante atenção na hora de realizar tarefas como os deveres de casa ou cuidar da higiene pessoal. Mas começam a ser capazes de solucionar problemas sozinhas e testar novas atividades, e podem ter um pouquinho de dificuldade na hora de lidar com emoções como a frustração e a ansiedade. Crianças nessas idades não costumam ter muito controle sobre impulsos verbais, então, é necessário que os pais as orientem quando algum deslize for cometido.

Entre os 10 e 12 anos, os “mocinhos” já começam a se tornar mais argumentativos e passam a se opor mais aos pais, uma vez que querem se separar um pouco das figuras dos adultos e ganhar um mais de controle sobre as próprias vidas. Contudo, as crianças podem ter dificuldade em lidar com suas habilidades sociais, então, é comum que, nesta fase, elas comentem sobre conflitos e discussões que tiveram com os amigos – e que tenham dificuldades em reconhecer as consequências de algum mau comportamento no longo prazo.

Fatores que podem alterar o comportamento das crianças

Mudanças na rotina

É fundamental que as crianças tenham uma rotina bem estabelecida. Porém, quando algo muda em seu cotidiano, como seria a chegada de um novo irmãozinho, a mudança de escola, o falecimento de um familiar ou até a adoção de um novo um animal de estimação, a criança, por não ter ainda a habilidade de expressar as suas emoções ou por medo do que essas novas situações representam em sua vida, pode reagir se tornando mais agressiva, desafiadora, desobediente e respondona.

Ser vítima de bullying ou agressões

Crianças que são vítimas de bullying ou de abuso físico também podem apresentar variações de comportamento, especialmente se elas tiverem medo de se abrir com os pais ou com alguém em quem elas confiam. Então, ao não verbalizar e não lidar com os problemas dos quais se tornaram vítimas, as crianças podem passar a demonstrar insegurança, se tornar antissociais, ter problemas de autoestima e evitar a companhia de outras pessoas.

Dificuldades escolares

Crianças com dificuldades para aprender a ler, com baixo desempenho em matemática ou com problemas para compreender instruções simples dadas pelos professores, por exemplo, podem não se sentir adequadas ou achar que não pertencem ao ambiente em que se encontram e passar a apresentar mau comportamento, se tornar mais desafiadoras e desobedientes, especialmente com relação às tarefas e atividades escolares.

Falta de limites estabelecidos pela família

Com enorme frequência a criança é mal-educada simplesmente como resultado da falta do estabelecimento de um sistema de regras e consequências por parte dos pais. Os pequenos precisam de disciplina e necessitam da orientação dos adultos para poder desenvolver suas habilidades sociais. Sendo assim, crianças cujos pais são superprotetores ou negligentes geralmente apresentarão problemas de comportamento.

Transtornos não diagnosticados

Também pode acontecer de a criança realmente ter um transtorno que ainda não foi diagnosticado, como seria o caso do transtorno desafiador opositivo, do desvio de conduta e do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade. Esses problemas costumam ser de origem genética, mas também podem surgir como resultado de influências do ambiente em que a criança está inserida, e podem afetar a sua habilidade de se relacionar, tanto com familiares, como com coleguinhas da escola e até amiguinhos da vizinhança. Eles se caracterizam como:

Transtorno Desafiador Opositivo: é uma classe de transtorno de conduta que normalmente é observado em crianças menores e se caracteriza por incluir comportamento desafiador, desobediente ou perturbador. Não se trata de um problema fácil de identificar e necessita investigação por parte de especialistas, e as travessuras sérias ou desobediência não são suficientes para fechar o diagnóstico. De qualquer forma, o pequeno dificilmente apresentará inclinação a atos delinquentes ou comportamento antissocial, e é raro que ocorram manifestações mais extremas de agressividade.

Desvio de Conduta: este problema se caracteriza por comportamentos agressivos e desafiadores e por uma conduta considerada inadequada socialmente, envolvendo violação de normas ou de direitos individuais. Este transtorno é observado em por volta de 1% a 10% das crianças e adolescentes, e consiste em um dos principais motivos de encaminhamento dos pequenos a tratamentos com psicólogos ou psiquiatras infantis.

Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade: caracterizado pela impulsividade, desatenção e hiperatividade inconsistentes com a etapa de desenvolvimento da criança, o TDHA consiste em uma perturbação neurobiológica de origem genética que normalmente aparece antes dos 12 anos de idade. Para que o diagnóstico seja fechado, além da investigação por parte de especialistas, é necessário que os sintomas sejam observados por períodos superiores a 6 meses e que ocorram não só na escola, mas também em casa.

Além disso, outros fatores que podem afetar o comportamento das crianças são problemas como transtornos de humor, depressão, ansiedade, dificuldades no ambiente familiar e o histórico de abuso de substâncias com o álcool e as drogas em casa

Quando devemos ficar alertas?

Dificuldades em lidar com as próprias emoções

Embora seja difícil para as crianças mais novinhas controlarem os próprios sentimentos e não explodirem nas birras ocasionais, crianças um pouco maiores devem ser capazes de lidar com sentimentos como frustração, raiva e desapontamento, por exemplo, e não conseguir lidar com essas emoções de forma adequada pode ser sinal de desequilíbrio.

Dificuldades em controlar impulsos

As crianças aprendem a controlar os seus impulsos de maneira gradual e, enquanto é compreensível que o pequeno reaja de forma agressiva ao receber um novo estímulo – como quando ele inicia a escolinha e responde ao professor por não saber como agir –, não é aceitável que uma criança mais velha faça a mesma coisa, e pode ser que ela precise de ajuda para desenvolver melhores habilidades sociais.

Dificuldades de aprender com os próprios erros

É normal que os pequenos repitam os mesmos erros de vez em quando, muitas vezes como forma de testar os pais e ver se eles realmente vão cumprir os castigos que prometeram. Contudo, não é normal que a criança persista com o mesmo comportamento indesejado depois de ter sido corrigida, então, é bom os adultos ficarem atentos.

Dificuldades com interações sociais

Não é nada fácil aprender como agir no contexto social, mas, se o comportamento da criança interfere em sua capacidade de fazer amiguinhos ou de conviver com outras pessoas, seja porque ela se envolve em brigas constantemente, desrespeita os demais ou porque é desobediente, essa dificuldade em manter relacionamentos saudáveis pode afetar profundamente o futuro do pequeno se não for trabalhada.

Comportamento sexualizado

Dependendo da etapa de desenvolvimento e idade da criança, não é normal nem apropriado que ela sinta curiosidade além do esperado pelo sexo oposto, seja observada em brincadeiras sexuais com bonecas e brinquedos, apresente comportamento sedutor ou tenha conhecimento sexual que não condiz com a sua faixa etária; esses casos devem ser investigados, pois podem ser indicativos de problemas graves e até de que a criança é ou foi vítima de abuso.

E mais: a criança fala em suicídio, se machuca ou se automutila? É óbvio que esse tipo de comportamento não deveria acontecer – em nenhuma faixa etária! – e, se for observado, o pequeno deve ser avaliado por um especialista para que a origem do problema seja identificada e tratada.

Como agir na hora de corrigir uma malcriação do filho?

A melhor estratégia para lidar com um comportamento indesejado é evitar que ele aconteça. Só que isso nem sempre é possível, certo? Portanto, é importante identificar e entender a causa do problema para que ele possa ser prevenido e corrigido. Pode ser, por exemplo, que as malcriações aconteçam quando a criança está cansada, com fome ou irritada, então, esses fatores devem ser reconhecidos como gatilho e evitados. Entretanto, pode ser que tenha acontecido algo no cotidiano do pequeno e o comportamento inadequado seja a forma que ele encontrou de lidar e expressar seus sentimentos. Mas, independentemente da causa, algumas dicas de como você deve agir quando for corrigir o seu filho são:

  • Quando ele fizer alguma arte, mesmo que pareça engraçada e divertida, jamais ria diante do pequeno ou demonstre achar graça, pois ele pode pensar que você aprova e pode repetir o mau comportamento.

  • Quando for corrigir alguma malcriação, se abaixe ou se ajoelhe diante da criança para que vocês fiquem na mesma altura, use um tom de voz firme e seguro, olhe nos seus olhos e explique gentilmente o motivo de o comportamento não ser aceitável; a criança precisa entender as razões de estar sendo repreendida e quais são as consequências dos seus atos.

  • Quando o pequeno for mal-educado, não espere para chamar a sua atenção mais tarde; a criança precisa ser disciplinada no momento em que apresentou o mau comportamento para que a correção faça sentido para ela.

O que os pais devem evitar:

  • Os pais não devem jamais ceder às demandas dos filhos e voltar atrás por medo de que eles façam escândalos; se a criança começar a chorar, ignore até que ela faça o que foi pedido ou, do contrário, ela vai aprender que toda vez que abrir um berreiro, os pais farão suas vontades.

  • Os pais não devem justificar as malcriações dos filhos dizendo que é normal, que eles não têm idade para entender o que estão fazendo ou que as crianças agem assim mesmo; não é não e o que é errado é errado, e o mau comportamento deve ser corrigido.

  • Os pais não podem ignorar nem se sentir ofendidos quando outras pessoas – como avós, tios, professores ou amigos próximos – mencionarem alguma malcriação dos filhos ou até corrigirem um mau comportamento (desde que se trate de um método de disciplina adequado, evidentemente!), uma vez que os pequenos podem se sentir protegidos e continuar agindo mal.

  • E os pais não devem transformar os filhos nos centros absolutos de seus universos; as crianças devem entender que suas vontades nem sempre podem ser atendidas, que para tudo existe um momento certo e que elas devem aprender a ter paciência e a respeitar regras e limites.

No entanto, a conduta dos pais é o principal fator de influência na educação dos filhos, uma vez que são seus modelos de referência e boa parte do que os pequenos aprendem é reflexo do que observam. Assim, além de serem bons exemplos e policiar as próprias condutas, os pais devem estabelecer regras e consequências realistas e apropriadas a cada estágio de desenvolvimento da criança e, se possível, incluir o pequeno na definição de normas e castigos. Além disso, e vital que o combinado seja respeitado e que um sistema de recompensa pelo bom comportamento seja criado, para reforçar o que foi aprendido.


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Redação - Alô Bebê

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