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Gravidez depois dos 40: tudo o que você precisa saber

Gravidez depois dos 40: tudo o que você precisa saber

Desde que as mulheres começaram a fazer parte do mercado de trabalho, a relação com a maternidade vem mudando: nos anos 1950, era comum que as mulheres chegassem aos 20 anos de idade já com filhos, mas hoje em dia isso é raro.

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Enquanto a gravidez antes dos 20 vêm diminuindo, as gestações depois dos 40 vêm aumentando. Entre 2016 e 2017, de acordo com pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo de grávidas entre 30 e 39 anos aumentou de 23,4% para 32,2%; depois dos 40, cresceu de 2,2% para 2,9%. E a perspectiva é que esses números aumentem nos próximos anos.

Mas por que isso vem acontecendo e quais são os desafios para quem opta por engravidar depois dos 40? Descubra as respostas para essas e outras perguntas.

Existe idade certa para engravidar?

É de conhecimento geral que, a partir do momento que menstrua pela primeira vez, toda menina pode engravidar. Porém, a gravidez na adolescência é contraindicada por diversos motivos, desde os impactos mentais que pode gerar até a falta de preparo do organismo, que não está completamente formado.

Levando em conta o desenvolvimento e a capacidade corporal da mulher, os riscos de uma gravidez são menores por volta dos 20 anos de idade, que seria a idade ideal para engravidar. De acordo com um estudo do Hospital de Clínicas de São Paulo, com essa idade o risco de o bebê nascer com anomalias genéticas é de apenas 0,05%.

Entre os 20 e os 30 anos, as mulheres engravidam com mais facilidade e levam a gravidez até o fim sem muitos problemas. Porém, nessa faixa etária, também é comum não haver muita estabilidade profissional e financeira, o que faz com que muitas mulheres adiem esse evento.

A partir dos 35 anos, os riscos começam a aumentar e vão de 0,05 para 1%. Cinco anos depois, aos 40, esse risco chega a 5%, e então a 10% antes dos 50 anos. As maiores incidências são de síndrome de Down e abortamentos. Depois dos 40 anos, problemas como diabetes e hipertensão também são riscos para a gestante.

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Sendo assim, por que as mulheres estão engravidando cada vez mais tarde? Muitas confiam que a ciência já evoluiu o suficiente para que elas escolham quando querem ser mães, por isso postergam o sonho da maternidade para quando já têm uma vida mais estável.

Mas será que a ciência e a medicina podem dar conta dos riscos de uma gravidez depois dos 40?

Quais são as particularidades da gravidez depois dos 40?

Boa parte das mulheres, mesmo aquelas que não têm intenção de engravidar, têm uma ideia geral do que esperar da gravidez, desde as primeiras consultas do pré-natal até o desconforto do último trimestre. Mas um dos principais pontos conhecidos é que é quase impossível prever exatamente como será uma gravidez, porque cada corpo responde de formas diferentes à gestação, de acordo com diversos fatores.

Um desses pontos mais importantes entre as individualidades da gestação é a idade. Ter um filho aos 20 anos é diferente de ter um filho aos 40 em diversos aspectos, a começar pela concepção: a partir dos 40, engravidar naturalmente passa a ser mais difícil.

Quando a mulher nasce, já tem um planejamento biológico predeterminado que limita o número de óvulos que terá ao longo da vida, algo em torno de 300 mil; com a menstruação mensal e outra série de fatores, eles vão diminuindo gradativamente. O especialista em reprodução humana da Clínica de Reprodução Humana de São Paulo, Gilberto da Costa Freitas, afirma que essa queda é acentuada aos 35 anos, reduzindo ainda mais o número de óvulos.

As diferenças, no entanto, não acabam por aí. Depois dos 40 anos, doenças como hipertensão, diabetes e até problemas de colesterol ou deficiência vitamínica são mais comuns. Ainda há diminuição da densidade óssea, o que deixa as mulheres menos resistentes e com menos condições de gerar e carregar um filho por 9 meses.

O obstetra do Ambulatório de Obstetrícia do Hospital das Clínicas de São Paulo, Adolfo Liao, afirma que até 25% das gestações após os 40 anos resultam em abortos e 15% dão à luz bebês prematuros devido a complicações com diabetes e hipertensão. Além disso, o risco de distocia funcional, que é o trabalho de parto que não evolui na velocidade esperada, também é muito maior.

O que isso significa para o bebê?

A gravidez depois dos 40 também traz riscos para o bebê. Afinal, como dissemos, a mulher já tem seu número de óvulos determinado quando nasce. Como consequência, quando começa a envelhecer, os óvulos envelhecem junto.

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Aos 40 anos, a maioria dos óvulos jovens e saudáveis já foi liberada, e isso aumenta consideravelmente a possibilidade de o óvulo liberado apresentar alguma alteração cromossômica numérica ou estrutural. Por isso, a gravidez nessa idade tem uma possibilidade quase dez vezes maior de gerar uma criança com síndrome de Down, por exemplo.

Essa condição, no entanto, tem um risco menor: muitas pessoas com a síndrome vivem uma vida adulta saudável e feliz. Algumas outras síndromes causadas por essas alterações, por outro lado, podem causar abortamento ou morte prematura do bebê. Doenças e problemas de saúde da mãe também podem acabar afetando a formação do bebê no útero. Por isso, mulheres que engravidam após os 40 anos devem realizar acompanhamento médico desde que planejam a concepção.

A medicina pode, sim, reduzir os riscos relacionados à gravidez depois dos 40 e pode se apresentar de diversas maneiras. Em primeiro lugar, na prevenção de problemas de saúde, com exames e avaliações de rotina, além de tratamentos para mulheres que sofrem de hipertensão, diabetes, problemas na tireoide ou obesidade. Quanto mais saudável for a gestante, menores serão as possibilidades de a gravidez apresentar complicações.

Além disso, a medicina é uma grande ferramenta para mulheres que optam pela reprodução assistida. Hoje em dia, existem técnicas que estimulam a ovulação ou o encontro entre óvulos e espermatozoides, como a fertilização in vitro, com as quais é possível aumentar em cerca de 20% as chances de gravidez depois dos 40.

Mulheres que já estão na menopausa ou que estão entrando nessa fase também podem utilizar óvulos doados por mulheres mais jovens em clínicas de reprodução assistida. Após a fertilização in vitro, o embrião é colocado no útero da futura mamãe, que tem chances de 60% de engravidar com essa técnica.

De uma maneira ou de outra, é possível engravidar depois dos 40 anos; o segredo é ser a melhor amiga do seu médico e tomar todos os cuidados necessários para ter uma gravidez mais segura.

Engravidar depois dos 40 requer cuidados especiais?

A gravidez depois dos 40 anos pode apresentar mais riscos tanto para a mãe quanto para o bebê, por isso é recomendado que a gestante tome alguns cuidados especiais para garantir uma gravidez mais segura para ambos.

Confira quais são alguns desses cuidados.

Ter uma alimentação balanceada

Uma dieta rica em frutas, legumes, vegetais e grãos integrais é essencial para manter a saúde em dia antes, durante e depois da gravidez, mas é ainda mais importante para quem quer ser mãe depois dos 40: uma boa alimentação faz parte da prevenção de doenças cardíacas e respiratórias, assim como diabetes, artrite e outras condições que podem colocar a gravidez em risco.

Alimentar-se bem garante um corpo mais saudável, bem nutrido e cheio de energia para passar pelos meses da gestação e esperar a chegada do bebê na melhor forma possível.

Praticar exercícios físicos

Praticar exercícios físicos também garante mais saúde para a mãe e para o bebê. Encontrar uma atividade física agradável, que possa ser praticada de maneira constante, faz com que a resistência física aumente, a agilidade seja melhorada, os músculos fiquem fortalecidos e a flexibilidade seja acentuada.

Com um corpo mais forte, resistente e flexível, as dores e os desconfortos da gravidez são menores, assim como os riscos de desenvolver uma série de doenças. Além disso, a mulher tem mais energia e disposição até mesmo após a gravidez.

Procurar um médico

O acompanhamento médico não pode ser negligenciado por quem quer ter um bebê. No caso de uma gravidez depois dos 40, isso é ainda mais importante, porque mulheres nessa idade têm mais riscos de desenvolver doenças de diversas origens.

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Quem tem planos de engravidar deve avisar ao médico previamente e começar o tratamento de qualquer doença e problema de saúde antes disso, para diminuir consideravelmente os riscos durante a gestação.

Fazer o pré-natal

O pré-natal é fundamental para detectar e prevenir doenças tanto da mãe quanto do bebê e permitir o desenvolvimento saudável até o parto. O acompanhamento começa com orientações importantes sobre vacinas e exames, assim como atividades educativas das quais a gestante pode participar para saber mais sobre o que esperar dos meses seguintes.

Entre as vantagens do pré-natal, a mais importante é a possibilidade de identificar doenças e malformações, porque possibilita o tratamento e oferece o tempo e a oportunidade para que os pais se preparem para a chegada do filho. Além de cuidar da saúde física, o pré-natal auxilia a saúde mental, oferecendo orientação psicológica e educando tanto a grávida quanto a família.

Quando a gravidez ocorre depois dos 40, o pré-natal é diferente: como essa gestação apresenta mais riscos, o acompanhamento é mais intenso, com consultas constantes e exames específicos para a faixa etária. Assim que descobrir a gravidez, a gestante deve começar o acompanhamento.

Tomar ácido fólico

O ácido fólico, também conhecido como vitamina B9, é uma substância essencial durante a gravidez. Tomá-la pode ajudar a prevenir diversas lesões no tubo neural do bebê e que podem causar doenças como anencefalia, lábio leporino, espinha bífida e alterações cardíacas. Na mãe, a substância ajuda a evitar anemia e pré-eclâmpsia; além disso, ajuda na formação da placenta e no desenvolvimento do DNA.

Alguns alimentos são naturalmente ricos em ácido fólico, como verduras com folhas verde-escuras (brócolis, couve, espinafre etc.), cereais integrais, abacate, manga, laranja, banana, ovo e feijões. Porém, além de inclui-los na dieta, a gestante deve tomar uma suplementação.

Normalmente, é recomendado que a futura mamãe comece a tomar o ácido fólico antes de engravidar, com pelo menos 1 mês de antecedência. No caso da gravidez depois dos 40, o recomendando é começar a tomar com 3 meses de antecedência. Com essas medidas, os riscos da gravidez depois dos 40 diminuem para a mãe e para a criança.

Reprodução assistida é a melhor opção?

A medicina e a ciência são duas grandes aliadas de quem planeja engravidar após os 40 anos de idade. Existem diversas técnicas que podem ajudar, além do acompanhamento médico comum, que é essencial para gerenciar os riscos da gravidez e garantir a saúde da gestante e do bebê.

Por conta dos avanços técnicos, muitas mulheres se perguntam se é mais simples, depois dos 40 anos, tentar engravidar com a ajuda da reprodução assistida. Como vimos, nessa idade começa a ser mais difícil conceber de forma natural, e mesmo a gravidez natural pode ter óvulos pouco saudáveis.

Uma opção muito procurada é o congelamento de óvulos, que costuma ser feito antes dos 30 anos, pois nessa faixa etária são mais saudáveis do que os que serão liberados depois dos 40, então as chances de alterações cromossômicas e outras complicações são menores. Quando chega o momento desejado para engravidar, a paciente faz uma fertilização in vitro, técnica que junta óvulos e espermatozoides em laboratório e insere o embrião já fecundado no útero da paciente.

Uma pesquisa da Universidade de Adelaide revelou que, em pacientes com mais de 40 anos, a fertilização in vitro diminui consideravelmente os casos de deficiência congênita nos bebês. Enquanto alterações cromossômicas em bebês concebidos naturalmente por mulheres com mais de 40 anos atingiram 8,2%, a taxa foi de 3,6% quando optaram pela reprodução assistida.

A fertilização in vitro não é um procedimento disponível em larga escala, mas pode ser uma opção mais segura para famílias que têm a oportunidade de escolhê-la.

Quais são as vantagens de ser mãe depois dos 40 anos?

Ser mãe após os 40 anos não traz apenas riscos e preocupações. Para quem sonha em ter um filho, esse momento é de realizações e felicidade. Na verdade, a gravidez depois dos 40 pode trazer vantagens que nenhuma outra faixa etária oferece, por isso pode ser a melhor escolha para muitas mulheres.

Confira algumas das vantagens de ser mãe depois dos 40 anos.

Mais certeza

Muitas vezes, casais que têm filhos mais cedo não planejam a gravidez com cuidado ou engravidam sem ter muita certeza de que querem ter um filho. Aos 40 anos, já houve tempo e maturidade para tomar essa decisão, então há menos incertezas e é possível curtir muito mais o momento.

Mais estabilidade

Um dos maiores motivos para uma mulher adiar a gravidez para depois dos 40 anos é a consciência de que tudo mudará depois dela e que será difícil conciliar a maternidade e os planos de construir uma carreira e se estabilizar financeiramente.

Aos 40 anos, no entanto, é provável que os pais tenham uma carreira mais consolidada, que já tenham estudado e conquistado o cargo dos sonhos. Assim, há mais segurança para tirar a licença-maternidade pelo tempo que precisar e curtir mais o bebê.

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Além disso, a segurança financeira aos 40 anos é muito maior do que antes dos 30, com a possibilidade de se planejar melhor para garantir mais conforto e segurança para o bebê sem que isso gere um grande rombo no orçamento no fim do mês. Essa estabilidade permite aproveitar melhor os primeiros anos da vida do pequeno sem se preocupar tanto com o que pode acontecer no futuro.

Mais saúde mental

Como sabemos, a gravidez libera uma série de descargas hormonais no organismo, as quais causam mudanças no corpo e alterações no humor, mas esses hormônios trazem vantagens interessantes para as gestantes com mais de 40 anos. Em uma pesquisa realizada pela Universidade do Sul da Califórnia foi constatado que mulheres que têm filhos tardiamente mantêm um nível de saúde mental maior após a menopausa e chegam aos 60 anos com uma capacidade intelectual mais aguçada.

A maioria das mulheres apresenta um declínio na capacidade intelectual, especialmente na memória, por causa da diminuição da produção hormonal. Mas a gravidez e sua produção de estrógeno e progesterona parecem reverter esse declínio, ainda que não seja algo 100% comprovado.

Mais tempo

Antes dos 30 anos, é normal que o casal faça muitas horas extras durante a semana e trabalhe aos fins de semana para manter uma boa vida financeira e juntar dinheiro. Além disso, antes dos 40, muitas pessoas estudam e trabalham ao mesmo tempo, estando ocupadas mesmo quando estão em casa.

Ter filhos depois dessa época é uma garantia de ter mais tempo para se dedicar a eles. Afinal, com a conclusão dos estudos — ou pelo menos de boa parte deles —, provavelmente um bom lugar no mercado de trabalho já foi conquistado, assim como uma vida mais estável. Mais tempo livre significa mais tempo com a família, e essa é uma vantagem que todos os pais gostariam de ter.

Como se preparar para a gravidez depois dos 40?

Agora que já tiramos todas as dúvidas sobre a gravidez depois dos 40, é hora de saber o passo a passo para entrar nessa grande aventura.

  1. Se você está na faixa dos 20 ou 30 anos, converse com seu médico sobre a possibilidade de congelar seus óvulos e quais são as opções disponíveis;

  2. Alimente-se bem, faça exercícios e viva uma vida mais saudável, pois será bom para o futuro do bebê e para você;

  3. Informe ao seu médico que você pretende engravidar após os 40 anos;

  4. Se você já estiver grávida, procure um médico para começar o pré-natal o mais rápido possível;

  5. Informe-se e estude com frequência para tirar suas dúvidas e ficar mais tranquila com a chegada do bebê;

  6. Conte com o apoio da família e dos amigos para ir a consultas, organizar-se, arrumar o quarto do bebê e mesmo para conversar e desabafar — manter a saúde mental faz toda a diferença;

  7. Tome o suplemento de ácido fólico e faça os exames solicitados pelo médico;

  8. Aproveite esse momento único e incomparável na sua vida!

  9. Mesmo com riscos e dificuldades, se ter filhos for um dos seus sonhos, não tenha medo da gravidez depois dos 40. Ela trará uma grande novidade para o seu mundo, além de muitas novas responsabilidades; e é uma aventura que todas as mães — mais novas ou mais velhas – poderão afirmar que vale a pena.

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Redação - Alô Bebê

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